segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Querência


Quero o cheiro de comida
das ruas humildes de Caxias;
o falar retorcido dos bêbados
dos butiquins do mercado central.

Quero as luzes foscas de suas praças,
becos e esquinas;
o riso escandaloso das meninas
da Diracir.

Quero rir
novamente dos apresentadores
de programas locais,
são hilários...

Quero seus bares
e até a irritação que me vem
com sua música ruim.

A indiferença e o julgamento
de suas mulheres;
o incômodo das repartições
que me lembram um livro do Kafka.

Quero ler pelo menos outra vez
os péssimos poemas de seus literatos.
(Não, isso já é querer demais)

Prefiro ser expulso novamente
da Academia Militar de Letras...

Ah, como quero Caxias,
com seus habitantes que recebem,
de quatro
em quatro anos,
asfalto para comer.

Edwin Fernandes Xavier...
Caxias, 07 de outubro de 2010.

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